Rede Agroecológica incentiva troca de experiências em Maricá (RJ)

Articulação local de moradores organiza troca de mudas, sementes e insumos durante o curso de Capacitação em Agroecologia EaD oferecido pela Cooperar

Registro da primeira troca de mudas e produtos agroecológicos realizada pela Rede Agroecológica de Maricá (RJ) (Foto: Feita pelos participantes)

A Capacitação em Agroecologia EaD é uma formação de ensino à distância oferecida pela prefeitura de Maricá em parceria com a Cooperativa de Trabalho em Assessoria a Empresas Sociais de Assentamentos da Reforma Agrária (Cooperar) através do termo de colaboração N° 0018/2020. As aulas online tiveram início em dezembro com a temática compostos orgânicos e biofertilizantes, incentivando os participantes a reproduzirem as técnicas em suas hortas e quintais. Na primeira semana de janeiro, as atividades voltaram com aulas sobre produção de mudas e sementes, onde foram socializados princípios da agricultura camponesa, povos e comunidades tradicionais, como promover espaço para troca de sementes e mudas.

Foi assim que os moradores organizaram a primeira Rede Agroecológica do município, um espaço de troca auto organizado sobre produção de alimentos, a partir do contato estabelecido durante o curso e a demanda de compartilhar insumos agrícolas. Sendo uma atividade que não possui estrutura, ainda é um dilema em comum para os pequenos agricultores a falta de insumos.

A expectativa do grupo, que se comunica através de um aplicativo de mensagens, também é potencializar o escoamento da produção no município. Além disso, espera-se que a Rede Agroecológica potencialize o mercado consumidor de alimentos saudáveis e agroecológicos.

Os moradores de Maricá deram início a um importante espaço de troca. No último dia 8 de janeiro, os participantes se encontraram no centro de Maricá para a primeira troca de mudas e produtos, seguindo as recomendações de saúde sem aglomeração e usando máscaras. Foram trocadas entre os produtores as mudas de poejo, erva- cidreira, a Planta Alimentícia Não Convencional (PANC) chaya, mamona roxa e ora-pro-nóbis branco, além disso, o açafrão agroecológico preparado em pó. 

Primeiros passos

Para Rômulo Felício, participante do curso e pequeno produtor, a ação é de suma importância para o crescimento da agroecologia no município. “Foi muito bom para a primeira vez que nos mobilizamos. Acredito que iremos melhorar nossas ações em prol da agroecologia junto ao grupo da Rede”, afirmou. 

Assim como ele, Alberto Gomes, do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), reitera a importância do encontro. “É mais uma semente que plantamos, temos o intuito de realizar esse encontro para todo o terceiro sábado do mês, para que todos possam participar das nossas trocas coletivas”.

A participante do curso Márcia Ribeiro é ecochef no Armazém do Bem Viver, localizado em Maricá. Ela ilustra a situação da comercialização no município e como a organização vinda do produtor é fundamental para que esses processos de fato se consolidem. 

“Sempre quis organizar essa rede em Maricá no Fórum de Economia Solidária, pois tenho esse viés profissional no escoamento da agroecologia na agricultura familiar, via importância de criar um selo para os produtos daqui, para registrar a agroecologia no município. Isso auxilia o desenvolvimento local e fortalecimento de renda, algo de suma importância para os pequenos agricultores, o que pode vir a ocorrer de fato com o surgimento da Rede”, destaca.

Capacitação

O engajamento dos participantes do curso só agrega mais valor às atividades da cooperativa e expõe a necessidade de investimento na agroecologia em Maricá, de acordo com a Engenheira Agrônoma da Cooperar Joana Duboc .

“Nosso curso EaD proporcionou o encontro de moradores e agricultores de Maricá interessados em conhecer ou aprofundar os conhecimentos em Agroecologia. Estes, por sua vez, buscaram a articulação em rede como caminho para trocas de mudas, sementes, saberes e sabores! Somente a organização coletiva pode fortalecer as experiências locais e potencializar o desenvolvimento da agroecologia no território a médio e longo prazo. E assim estabelecemos laços e vínculos entre os moradores e agricultores, fortalecendo a cultura do cuidado e manutenção na vida no solo, a partir compostagem do nosso resíduo orgânico, produzindo nosso alimento e dinamizando os processos produtivos para a promoção da comercialização de alimentos agroecológicos de forma integrada à realidade de Maricá”, afirmou.

O curso de capacitação em agroecologia EaD acontece até o dia 29 de janeiro, somando 40 horas de aulas divididas em 5 módulos. Os inscritos de Maricá também receberam um kit de incentivo com livros da Dra. Ana Primavesi, pesquisadora referência em agroecologia, caderno para anotações gerais e organização produtiva, sacola ecológica, sementes agroecológicas diversas, composto orgânico e alimentos produzidos pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) como o arroz orgânico Terra Livre e o café Guaií. 

Ao final do curso, há a possibilidade de um intercâmbio nas Unidades de Produção Agroecológica localizadas no Manu Manuela e Fazenda Ibiaci. Ela está prevista para ocorrer em grupos reduzidos de até cinco pessoas por questões de segurança sanitária devido a pandemia ocasionada pelo COVID-19.                          

Para acompanhar as novidades acesse o site ou nos siga no instagram @agroecologia_marica.

2 comentários

  1. Eu fiz esse curso amei foi um ótimo aprendizado os professores foram ótimos e as amizades que foram feitas durante o curso muito bom fomos nosso encontro no Manu Manuela e na Fazenda Ibiaci foi fantástico muitos conhecimentos o grupo que continua ativo e o meu primeiro encontro de mudas sábado agora dia 27/02 2021 na praça de turismo em Maricá ansiosíssima

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